Esta seção oferece uma visão geral dos comandos mais importantes do sistema SUSE LINUX. Existem muitos comandos além dos relacionados neste capítulo. Junto com os comandos individuais, são relacionados parâmetros e, quando apropriado, é apresentado o exemplo de um típico aplicativo. Para saber mais sobre os vários comandos, use as páginas de manual, acessadas com man seguidas pelo nome do comando, por exemplo, man ls.
Nas páginas de manual, desloque-se para cima e para baixo com PgUp e PgDn. Desloque-se entre o início e o fim do documento com Home e End. Conclua esta exibição pressionando Q. Aprenda mais sobre o próprio comando man com man man.
Na visão geral a seguir, os elementos do comando individual são gravados em estilos de fonte diferentes. O comando e suas opções obrigatórias são sempre impressos como opção de comando. Especificações ou parâmetros que não são necessários estão localizados entre [colchetes].
Ajuste as configurações de acordo com as suas necessidades. Não faz sentido escrever ls file se não há um arquivo chamado file. Geralmente, você pode combinar vários parâmetros, por exemplo, escrevendo ls -la em vez de ls -l -a.
A seção a seguir lista os comandos mais importantes para o gerenciamento de arquivos. Ela abrange desde a administração geral dos arquivos até a manipulação das ACLs (Access Control Lists - Listas de Controle de Acesso) do sistema de arquivos.
[options] [files] Se você executar o comando ls sem nenhum parâmetro adicional, o programa relacionará resumidamente o conteúdo do diretório atual.
-lLista detalhada
-aExibe arquivos ocultos
[options] source target
Copia source para target.
Aguarda a confirmação, se necessário, antes que um target seja sobrescrito
Copia recursivamente (inclui subdiretórios)
[options] source target
Copia source para target e depois apaga o source original.
Cria uma cópia de backup do source antes do deslocamento
Aguarda a confirmação, se necessário, antes que um targetfile seja sobrescrito
[options] files
Remove os arquivos especificados do sistema de arquivos. Os diretórios não são removidos por rm, a menos que a opção -r seja usada.
-rApaga subdiretórios existentes
-iAguarda confirmação antes de apagar cada arquivo.
[options] source target
Cria um link interno do source para o target. Normalmente, um link como esse aponta diretamente para o source no mesmo sistema de arquivos. Entretanto, se ln for executado com a opção -s, ele criará um link simbólico que apontará apenas para o diretório no qual o source está localizado, permitindo vincular sistemas de arquivos.
Cria um link simbólico
[options] [directory] Muda o diretório atual. O comando cd sem parâmetros muda para o diretório pessoal do usuário.
[options] directory Cria um novo diretório.
[options] directoryApaga o diretório especificado, se ele já estiver vazio.
[options] username[:[group]] filesTransfere a propriedade de um arquivo para o usuário com o nome de usuário especificado.
-RMuda arquivos e diretórios em todos os subdiretórios
[options] groupname files
Transfere a propriedade do grupo de determinado file para o grupo com o nome especificado. O proprietário do arquivo só pode mudar a propriedade do grupo se for membro tanto do grupo atual quanto do novo grupo.
[options] mode files Muda as permissões de acesso.
O parâmetro mode tem três partes: group, access e access type. group aceita os seguintes caracteres:
user
group
others
Usando access, conceda acesso com o comando + e negue-o com -.
O access type é controlado pelas seguintes opções:
read
write
execute – executando arquivos ou mudando para o diretório.
Setuid bit – o aplicativo ou programa é iniciado como se ele tivesse sido inicializado pelo proprietário do arquivo
Uma opção é usar um código numérico. Os quatro dígitos desse código são compostos pela soma dos valores 4, 2 e 1 – o resultado decimal de uma máscara binária. O primeiro dígito define o set user ID (SUID) (4), o set group ID (2) e os bits sticky (1). O segundo dígito define as permissões do proprietário do arquivo. O terceiro dígito define as permissões dos membros do grupo e o último define as permissões para todos os usuários. A permissão de leitura é definida com 4, a permissão de gravação com 2 e a permissão para execução de um arquivo com 1. O proprietário do arquivo recebe um 6 ou 7 para arquivos executáveis.
[parameters] files
Este programa compacta o conteúdo dos arquivos usando algoritmos matemáticos complexos. Os arquivos compactados dessa forma recebem a extensão .gz e precisam ser descompactados antes de serem usados. Para compactar vários arquivos ou até mesmo diretórios inteiros, use o comando tar.
Descompacta os arquivos gzip compactados para que eles retornem ao seu tamanho original e possam ser processados normalmente (como o comando gunzip)
options archive filestar coloca um ou mais arquivos em um arquivo. A compactação é opcional. O comando tar é razoavelmente complexo, com algumas opções disponíveis. As opções usadas mais freqüentemente são:
-fGrava a saída em um arquivo, e não na tela, como geralmente é o caso
-cCria um novo arquivo tar
-rAdiciona arquivos a um arquivo existente
-tApresenta a saída do conteúdo de um arquivo
-uAdiciona arquivos, mas somente se eles forem mais novos que os arquivos já existentes no arquivo
-xDescompacta arquivos de um arquivo (extração)
-zCompacta o arquivo resultante com gzip
-jCompacta o arquivo resultante com bzip2
-vRelaciona os arquivos processados
Os arquivos criados pelo comando tar terminam com .tar. Se o arquivo tar também tiver sido compactado com o comando gzip, a extensão será .tgz ou .tar.gz. Se ele tiver sido compactado com o comando bzip2, a extensão será .tar.bz2. Os exemplos de aplicativos podem ser encontrados em Seção 27.1.8, “Pacotes e compactação de dados”.
patterns
Este comando só estará disponível se você tiver instalado o pacote findutils-locate. O comando locate pode localizar o diretório em que um arquivo especificado se encontra. Se desejar, use curingas para especificar nomes de arquivo. O programa é muito rápido, pois usa um banco de dados especificamente criado para esse propósito (em vez de pesquisar todo o sistema de arquivos). Entretanto, esse fato também resulta em uma grande desvantagem: o comando locate é incapaz de localizar os arquivos criados após a última atualização do banco de dados. O banco de dados pode ser gerado por root com updatedb.
[options]
Este comando efetua uma atualização do banco de dados usado por locate. Para incluir arquivos em todos os diretórios existentes, execute o programa como root. Também é viável colocá-lo em segundo plano acrescentando um &; assim você poderá continuar a trabalhar na mesma linha de comando (updatedb &). Esse comando geralmente é executado como uma tarefa cron diária (consulte cron.daily).
[options]Com find, procure um arquivo em determinado diretório. O primeiro argumento especifica o diretório no qual deve-se iniciar a pesquisa. A opção -name deve ser seguida por uma string de pesquisa que também pode incluir curingas. Diferentemente do comando locate, que usa um banco de dados, o find explora o diretório.
[options] files O comando cat exibe o conteúdo de um arquivo imprimindo o conteúdo inteiro na tela, sem interrupção.
Numera a saída na margem esquerda
[options] files Este comando pode ser usado para procurar o conteúdo do arquivo especificado. Role meia página para cima ou para baixo PgUp e PgDn ou uma página inteira para baixo com Space. Vá para o início ou fim do arquivo usando Home e End. Pressione Q para sair do programa.
[options] searchstring files
O comando grep procura uma string de pesquisa específica nos arquivos especificados. Se a string de pesquisa for encontrada, o comando exibirá a linha na qual searchstring foi encontrada com o nome do arquivo.
-iIgnorar maiúsculas/minúsculas
-HExibe apenas os nomes dos respectivos arquivos, mas não as linhas de texto
-nAdicionalmente, exibe os números das linhas nas quais encontrou uma ocorrência
-l
Relaciona apenas os arquivos nos quais searchstring não ocorre
[options] file1 file2O comando diff compara o conteúdo de dois arquivos. A saída produzida pelo programa relaciona todas as linhas que não são correspondentes. Esse comando é freqüentemente usado por programadores que só precisam enviar suas alterações de programa, e não o código-fonte inteiro.
-qInforma apenas se os dois arquivos são diferentes
-uProduz um diff “unificado”, que torna a saída mais legível
[options] [device] mountpoint Este comando pode ser usado para montar qualquer mídia de dados, como discos rígidos, unidades de CD-ROM e outras unidades, em um diretório do sistema de arquivos do Linux.
-rmontagem apenas leitura
-t filesystem
Especifica o sistema de arquivos; normalmente ext2 para discos rígidos do Linux, msdos para mídia do MS-DOS, vfat para o sistema de arquivos do Windows e iso9660 para CDs.
Para discos rígidos não definidos no arquivo /etc/fstab, também deve ser especificado o tipo de dispositivo. Nesse caso, apenas root pode montá-lo. Se o sistema de arquivos também tiver de ser montado por outros usuários, digite a opção user na linha adequada no arquivo /etc/fstab (separado por vírgulas) e grave essa mudança. Mais informações estão disponíveis na página de manual mount(1).
[options] mountpoint
Este comando desmonta uma unidade montada no sistema de arquivos. Para evitar a perda de dados, execute o comando antes de retirar uma mídia de dados removível da sua unidade. Normalmente, apenas root tem permissão para executar os comandos mount e umount. Para permitir que outros usuários executem esses comandos, edite o arquivo /etc/fstab para especificar a opção user para a respectiva unidade.
As seções a seguir relacionam alguns dos comandos mais importantes necessários para a recuperação de informações do sistema e o controle de rede e processos.
[options] [directory]O comando df (disk free), quando usado sem opções, exibe informações sobre o espaço total em disco, o espaço em disco atualmente em uso e o espaço livre em todos as unidades montadas. Se um diretório for especificado, as informações se limitarão à unidade na qual o diretório está localizado.
-hMostra o número de blocos ocupados em gigabytes, megabytes ou quilobytes – em formato legível
-TTipo do sistema de arquivos (ext2, nfs, etc.)
[options] [path] Este comando, quando executado sem nenhum parâmetro, mostra o espaço total em disco ocupado pelos arquivos e subdiretórios no diretório.
-aExibe o tamanho de cada arquivo individual
-hSaída em forma legível
-sExibe apenas o tamanho total calculado
[options] O comando free exibe informações sobre o uso de RAM e de espaço de troca, mostrando a quantidade total e usada nas duas categorias. Consulte Seção 30.1.6, “O comando free” para obter mais informações.
-bSaída em bytes
-kSaída em quilobytes
-mSaída em megabytes
[options]
Este simples programa exibe a hora atual do sistema. Se ele for executado como root, também poderá ser usado para mudar a hora do sistema. Detalhes sobre o programa estão disponíveis na página de manual date(1).
[options] top oferece uma visão geral rápida dos processos em execução. Pressione H para acessar uma página que explica resumidamente as opções principais para personalizar o programa.
[options] [process ID]Se for executado sem opções, este comando exibirá uma tabela de todos os seus próprios programas ou processos – aqueles que você tiver iniciado. As opções para o comando não são precedidas de hífen.
Exibe uma lista detalhada de todos os processos, independentemente do proprietário
[options] process IDInfelizmente, às vezes, um programa não pode ser concluído de forma normal. Na maioria dos casos, você ainda poderá interromper um programa fora de controle ao executar o comando kill, especificando o ID do respectivo processo (consulte top e ps). O kill envia um sinal TERM que instrui o programa a se autodesligar. Se isso não ajudar, o seguinte parâmetro poderá ser usado:
Envia um sinal KILL em vez de um sinal TERM, na maioria dos casos encerrando o processo especificado
[options] processnameEste comando assemelha-se ao kill, mas usa o nome do processo (em vez do ID do processo) como um argumento, eliminando todos os processos com esse nome.
[options] hostname or IP address O comando ping é a ferramenta padrão usada para testar a funcionalidade básica das redes TCP/IP. Ele envia um pequeno pacote de dados para o host de destino solicitando uma resposta imediata. Se isso funcionar, o ping exibirá uma mensagem que indica que o link da rede está basicamente funcionando.
-c numberDetermina o número total de pacotes a serem enviados e é concluído logo depois que os pacotes são despachados (por padrão, não há limitação definida).
-f
flood ping: envia o máximo possível de pacotes de dados; um método comum, reservado para root para o teste de redes
-i valueEspecifica o intervalo entre dois pacotes de dados em segundos (padrão: um segundo)
O sistema de nomes de domínio soluciona nomes de domínio para endereços IP. Com essa ferramenta, envie consultas para os servidores de nomes (servidores DNS).
[options] hostname or IP address [port]Na realidade, Telnet é um protocolo de Internet que permite trabalhar em hosts remotos de uma rede. Também é o nome de um programa do Linux que usa esse protocolo para habilitar operações em computadores remotos.
![]() | Atenção |
|---|---|
Não use telnet em uma rede que esteja suscetível a “invasões” de terceiros. Especialmente na Internet, use os métodos de transferência criptografada, como ssh, para evitar que uma senha seja usada indevidamente (consulte a página de manual sobre ssh). | |
[options] [username]
Os usuários podem mudar suas próprias senhas, quando quiserem, com este comando. O administrador root pode usar o comando para mudar a senha de qualquer usuário no sistema.
[options] [username]
O comando su possibilita o login com outro nome de usuário em uma sessão em execução. Especifique um nome de usuário e a senha correspondente. A senha não é necessária no root, pois o root é autorizado a assumir a identidade de qualquer usuário. Ao usar o comando sem especificar um nome de usuário, você deve informar a senha root e mudar o superusuário (root).
-Use su - para iniciar um shell de login para o outro usuário.
[options]Para evitar a perda de dados, você sempre deve usar esse programa para desligar o sistema.
[options]Faz o mesmo que halt, exceto que o sistema efetua uma reinicialização imediata.
Este comando limpa a área visível do console. Não tem opções.